Uma pensão de velhice é, aos olhos de um banco, um rendimento previsível: chega todos os meses, não depende de uma entidade patronal e não desaparece com um despedimento. Por isso um reformado da Segurança Social ou um aposentado da Caixa Geral de Aposentações pode obter crédito pessoal, automóvel ou para obras em Portugal, desde que a prestação caiba na pensão e o prazo respeite a idade máxima que cada entidade aceita no fim do contrato.
Neste guia mostramos como os bancos e as financeiras tratam a pensão, como funciona o teste de esforço para quem já está reformado, que TAEG máximas se aplicam no quarto trimestre de 2026, que papel têm os seguros e onde procurar ajuda quando as prestações começam a pesar demasiado no orçamento.
Como a pensão é contada na análise de crédito
As pensões em Portugal são pagas 14 vezes por ano, com os subsídios de férias e de Natal. Os bancos costumam converter esse valor numa média mensal, somando as 14 prestações e dividindo por 12, o que aumenta ligeiramente o rendimento considerado. Peça que o façam, caso não seja automático.
| Tipo de rendimento | Como é visto pelo banco | Documento habitual |
|---|---|---|
| Pensão de velhice da Segurança Social | Estável e vitalícia; base principal da análise | Declaração de pensão emitida na Segurança Social Direta |
| Pensão da Caixa Geral de Aposentações | Muito bem aceite pela estabilidade e pelo valor médio | Declaração da CGA e extratos |
| Pensão de sobrevivência | Aceite, sobretudo quando complementa outra pensão | Comprovativo de atribuição |
| Pensão estrangeira | Aceite com cautela, pela conversão cambial ou pelo país pagador | Declaração do organismo estrangeiro e extratos |
| Rendas de imóveis | Complemento, se declaradas no IRS | Declaração de IRS e contratos registados |
Teste de esforço, taxas máximas e idade limite
Desde agosto de 2026, a recomendação do Banco de Portugal limita a taxa de esforço a 45 % do rendimento líquido, contando todas as prestações de crédito. Há uma vantagem para quem já é reformado: a redução de rendimento que o teste aplica a quem ultrapassa os 70 anos no fim do contrato não se aplica se a pessoa já estiver reformada quando o banco avalia o pedido, porque a pensão já é o rendimento definitivo.
O que é legal cobrar neste trimestre
No quarto trimestre de 2026, a TAEG máxima é de 15,0 % para a generalidade dos créditos pessoais, de 8,2 % para os créditos com finalidade de saúde, educação ou transição energética e de 18,5 % para cartões e descobertos. Se a proposta se aproximar desses limites, vale a pena procurar alternativas.
Idade máxima no fim do contrato e seguros
Não existe uma idade máxima fixada na lei para o crédito aos consumidores; cada entidade define a sua. Há bancos que aceitam contratos até aos 80 anos de idade no fim, enquanto outras entidades param antes. O seguro de vida associado ao crédito pessoal é geralmente facultativo, mas, se for exigido ou financiado, a seguradora tem as suas próprias idades limite e o prémio aumenta com a idade.
Situações reais de reformados que pedem crédito
Sr. Joaquim, 68 anos, reformado da indústria têxtil em Guimarães. Recebe uma pensão de 980 € (14 vezes por ano, cerca de 1 143 € de média mensal). Pede 4 000 € para uma prótese dentária com finalidade de saúde, a quatro anos. A prestação fica abaixo de 100 € e a taxa de esforço não chega a 10 %.
Sra. Graça, 72 anos, professora aposentada em Coimbra. Pensão da CGA de 1 900 €. Quer 12 000 € para adaptar a casa de banho e instalar um elevador de escada. O seu banco propõe cinco anos e o contrato termina aos 77. Como já está aposentada, o banco não aplica qualquer redução ao rendimento no teste de esforço.
Sr. Manuel, 76 anos, viúvo em Faro. Tem duas pensões, de velhice e de sobrevivência, num total de 850 €, e três cartões com 4 500 € de saldo. Uma financeira recusa novo crédito. Com a ajuda de um gabinete de apoio ao sobre-endividado, renegoceia os cartões em prestações fixas e deixa de pagar juros a 18 %.
Erros comuns e motivos de recusa
- Somar créditos pequenos até ficar sem margem: três ou quatro prestações de 60 € parecem pouco, mas fazem disparar a taxa de esforço.
- Ser fiador de um filho: a fiança aparece na Central de Responsabilidades de Crédito como responsabilidade potencial e pode bloquear um novo pedido.
- Aceitar seguros sem comparar: o prémio financiado aumenta o montante em dívida e a TAEG.
- Responder a ofertas de crédito por SMS ou redes sociais: entidades não autorizadas pelo Banco de Portugal não estão sujeitas às regras de proteção do consumidor; confirme sempre o registo.
- Ignorar o atraso de uma prestação: um incumprimento comunicado à Central de Responsabilidades fica visível para todos os bancos.
Soluções quando a resposta é negativa
Se o problema é a idade no fim do contrato, encurte o prazo ou peça um montante menor. Se o problema é a taxa de esforço, liquide primeiro os cartões, ou consolide-os numa única prestação, comparando o custo total. Um segundo titular, como um filho com rendimentos próprios, pode viabilizar o crédito, mas fica igualmente responsável. Quem tem poupanças pode dar um depósito como penhor e obter uma taxa muito inferior.
Apoio ao consumidor endividado
A DECO presta aconselhamento financeiro e ajuda a negociar com os credores. A Rede de Apoio ao Consumidor Endividado reúne entidades reconhecidas para esse fim. Em caso de atraso, o banco é obrigado a integrar o cliente no PERSI e a apresentar propostas de regularização antes de avançar com uma ação judicial. Lembre-se de que a pensão só pode ser penhorada dentro dos limites legais, que protegem uma parte do rendimento.
Passos para pedir crédito sendo reformado
- Obtenha a declaração de pensão na Segurança Social Direta ou na CGA e reúna os últimos extratos bancários.
- Consulte o mapa da Central de Responsabilidades de Crédito e confirme que não há dívidas ou fianças esquecidas.
- Faça um orçamento mensal com despesas fixas, medicamentos e imprevistos.
- Peça simulações no banco onde recebe a pensão e numa ou duas outras entidades.
- Confirme a idade máxima aceite no fim do contrato e o custo de qualquer seguro.
- Leia a Ficha de Informação Normalizada e use o prazo de 14 dias para desistir, se mudar de ideias.
Perguntas frequentes de reformados e pensionistas
Existe uma idade a partir da qual já não se pode pedir crédito? Não há um limite legal geral. Cada entidade define a idade máxima no fim do contrato, pelo que vale a pena comparar várias.
Os subsídios de férias e de Natal contam como rendimento? Sim. A pensão anual é paga em 14 prestações e muitos bancos calculam a média mensal com base nesse total.
Posso usar o subsídio de Natal para amortizar o crédito? Sim. Reembolsos antecipados parciais são permitidos; verifique a comissão aplicável no contrato.
Uma pensão estrangeira é aceite pelos bancos portugueses? Em regra sim, se for comprovada e paga numa conta em Portugal ou na zona euro. Pensões noutras moedas podem ser avaliadas com uma margem de segurança.
A minha pensão pode ser penhorada se não pagar? Pode ser penhorada parcialmente, dentro dos limites legais, após decisão judicial. Antes disso, o banco tem de passar pelo PERSI e propor soluções.
Organismos e ofertas a contactar
- Doutor Finanças – Crédito consolidado : Intermediário de crédito registado no Banco de Portugal que reúne vários créditos numa única prestação e negocia as condições com os bancos.
- Cofidis – Crédito Consolidado : Junta vários créditos numa só prestação mensal, para montantes de 5 000 € a 50 000 €, com simulação em linha.
- DECO – Aconselhamento financeiro : Pedido de aconselhamento financeiro ao Gabinete de Proteção Financeira da DECO sobre orçamento, sobre-endividamento e renegociação de créditos.
